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Testamento: Como Funciona, Quando Usar e o Que Pode Ser Contestado
25 de maio de 2026

Muita gente acredita que testamento é coisa de rico ou de idoso. Na prática, ele é um instrumento útil para qualquer pessoa que tenha bens e queira definir como eles serão distribuídos, especialmente quando a situação familiar é mais complexa do que a regra padrão da lei cobre.
O que é o testamento e o que ele pode fazer
O testamento é um documento em que a pessoa define, em vida, como quer que parte de seu patrimônio seja distribuído após o falecimento. É um ato personalíssimo, só a própria pessoa pode testar, e pode alterá-lo ou revogá-lo a qualquer momento.
O testamento não elimina o inventário, mas direciona e simplifica o processo.
O que você pode e não pode testar
A lei divide o patrimônio em duas partes:
Legítima (50%): pertence obrigatoriamente aos herdeiros necessários, descendentes (filhos, netos), ascendentes (pais, avós) e o cônjuge (art. 1.845 do Código Civil). Essa parte não pode ser destinada livremente por testamento.
Uma observação sobre o companheiro em união estável: depois de o STF equiparar, para fins de herança, o companheiro ao cônjuge (Tema 809), passou-se a discutir se ele também integra o rol dos herdeiros necessários, o art. 1.845 não o menciona expressamente, e esse é um ponto ainda controvertido nos tribunais. Por isso, em planejamentos que envolvam união estável, esse detalhe merece atenção técnica caso a caso.
Parte disponível (50%): você pode destinar a quem quiser, um amigo, uma entidade, um filho específico, qualquer pessoa.
Isso significa que o testamento não permite deixar todos os bens para uma única pessoa ignorando os filhos. Mas permite destinar metade do patrimônio com liberdade.
Quando o testamento é especialmente útil
Você tem filhos de relacionamentos diferentes
Sem testamento, a lei distribui os bens de forma proporcional entre todos os filhos. Com testamento, você pode usar a parte disponível para compensar alguém que recebeu menos ou para garantir algo específico para cada um.
Você quer deixar algo para um amigo, namorado ou pessoa fora da família
Herdeiros legais são apenas os da família. Para deixar algo para alguém de fora, o testamento é o único caminho, dentro do limite dos 50% disponíveis.
Você quer impor condições ou proteções
O testamento permite incluir cláusulas que protegem o bem deixado, como:
- Incomunicabilidade: o bem não entra na partilha do casamento do herdeiro
- Impenhorabilidade: o bem não pode ser tomado por dívidas do herdeiro
- Inalienabilidade: o herdeiro não pode vender o bem por determinado período
Essas cláusulas são especialmente úteis quando o herdeiro tem dívidas, é menor, ou a situação familiar é delicada.
Você quer nomear um tutor para filhos menores
O testamento é o instrumento correto para indicar quem cuidará dos filhos menores em caso de falecimento dos dois pais.
Como fazer um testamento válido
O testamento mais comum é o testamento público, lavrado em cartório de notas, com a presença de duas testemunhas e do tabelião. É o mais seguro porque:
- Fica registrado e arquivado no cartório
- O tabelião verifica a capacidade mental do testador
- É difícil de contestar
Existe também o testamento particular, mais simples, mas com mais risco de contestação. Ao contrário do que muitos pensam, ele não precisa ser necessariamente escrito à mão: o Código Civil (art. 1.876) admite que seja escrito de próprio punho ou por meio mecânico (digitado), desde que não tenha rasuras ou espaços em branco, seja assinado pelo testador e seja lido e assinado por três testemunhas (uma a mais do que no testamento público, que exige duas). Depois da morte, esse testamento precisa ser confirmado em juízo para produzir efeitos.
O que pode levar à anulação do testamento
O testamento pode ser contestado judicialmente por herdeiros que se sentirem prejudicados. Os motivos mais comuns de anulação:
Incapacidade mental no momento do ato: Se ficar comprovado que o testador não estava em plenas condições mentais quando assinou, o testamento pode ser anulado. É por isso que testamentos feitos por pessoas com doenças cognitivas avançadas são mais vulneráveis.
Vício de consentimento: Coação, fraude ou erro que tenha levado o testador a dispor de forma diferente do que realmente queria.
Violação da legítima: Testamento que invade os 50% dos herdeiros necessários é parcialmente nulo na parte que excede o limite.
Vícios formais: Testamento público sem testemunhas, testamento particular sem a formalidade exigida.
Para minimizar esses riscos, o ideal é fazer o testamento com antecedência e em bom estado de saúde, e guardar laudos médicos contemporâneos ao ato.
Com que frequência revisar o testamento
Casamento, nascimento de filhos, divórcio, aquisição de bens significativos, qualquer mudança relevante na vida justifica uma revisão. O testamento mais recente prevalece sobre os anteriores.
Se você quer organizar sua herança e garantir que sua vontade seja respeitada em Ponta Grossa ou na região dos Campos Gerais, o primeiro passo é entender o que você pode e não pode fazer.
Este conteúdo possui finalidade informativa e educativa. A orientação adequada depende da análise individual dos documentos e das circunstâncias específicas de cada caso. Entre em contato para uma avaliação técnica do seu problema jurídico.